Parece que foi ontem que decidi escrever uma newsletter semanal, como quem manda bilhetes longos para amigas com interesses em comum. Mas já faz um ano.
Um ano de edições escritas no caos da rotina, nos voos de última hora, entre cafés frios e ideias quentes demais para ficarem só na minha cabeça. Um ano de apostas certeiras, previsões ousadas, elogios bem dados, críticas merecidas e, claro, uma dose generosa de drama e acidez. Tudo isso sem jamais sucumbir ao conteúdo fácil.
A Crème nasceu como um exercício de curadoria, mas virou um documento vivo da minha vida. Um espaço que criei para organizar tudo aquilo que minhas amigas sempre disseram ser o meu verdadeiro dom: o meu olhar.
E esse olhar percorreu longas distâncias — mas, sobretudo, ficou muito tempo observando minha própria vida em São Paulo. Dos eventos à cobertura da minha primeira fashion week internacional, cada edição foi testemunha de algo.
Num desses dias, fui parada na porta da Soho House para ouvir: “Você que escreve a Crème? Eu amo!” e essa ainda é minha parte favorita. Encontrar gente que ama esse universo tanto quanto eu, que compartilha a obsessão com referências, estilo, moda, comportamento, estética e tudo o que habita o entremeio.
Foi assim que criei laços que não imaginava. Chorei escrevendo. Ri das minhas próprias piadas. Criei quadros, estreei formatos, entrevistei criativos e curadores, cobri eventos, escrevi sozinha, editei sozinha — mas nunca me senti sozinha. Cobri desfiles, estreei em backstages, revelei muitos dos meus segredos. Vendi o meu ponto de vista. Porque, no fim, a Crème sempre foi isso: o crème de la crème do meu mundo. Dos meus gostos. Do meu repertório. Essa fatia generosa de um bolo que mistura referências, moda e ideias.
E talvez por isso, uma amiga tenha me dito algo, lá no início da Crème, que nunca esqueci: “O seu bom gosto é a sua joia” — só que impossível de ser roubada.
Com o tempo, virei flâneur. Caminhei, vaguei, pesquisei. Fui mais curiosa com a Crème, mais atenta, mais sensível, mais corajosa. E se ela sobreviveu ao primeiro ano, não foi só por teimosia — foi porque existe gente aí do outro lado que ainda acredita no valor de uma curadoria. Gente que compartilha, indica, recomenda, sente. Gente que ri, que critica, que assina.
Por isso, obrigada por ler, reler, divulgar, indicar, surtar, reclamar quando não sai na segunda, assinar, compartilhar, elogiar e criticar. A Crème é minha, mas também é sua. E se esse foi só o primeiro ano... imagine o segundo.
Meu compromisso segue o mesmo: curar o melhor e compartilhar com vocês.
Obrigada por tudo até aqui.
E que venha o ano dois.
Com carinho,
— Junia Lopez

