
Hej! São 3 da manhã. Ainda energizada pós o segundo e terceiro dia de Copenhagen Fashion Week (o que já diz muito sobre o meu estado físico). Meus pés estão implorando socorro, meu corpo está operando no modo sobrevivência, mas minha cabeça ainda vibra com imagens de desfiles, festas, encontros e ideias novas. A cidade continua cheia, viva, ensolarada (às vezes), e a Crème, como sempre, está nos lugares certos.
Agora, vamos à cobertura dos dias 2 e 3 da fashion week mais cool do globo.
- Junia Lopez (também estou fazendo uma cobertura ao vivo pelo meu Instagram!)


Crème Daily — Dia 2
Copenhagen, 05 de agosto
A manhã começou no Buka Bakery, uma das padarias mais adoradas da cidade. A estética é minimalista, o staff não tem muita paciência, mas os doces fazem tudo valer a pena. Pedi um tebirkes (massa folhada com recheio de maçapão, cobertas com sementes de papoula) recém-saído do forno. Surreal.

Primeira parada: a presentation da TAUS. A proposta era um ensaio sensível sobre mulheres “intensas demais” para os padrões sociais.

Correria para o desfile da Skall Studio, em meio ao jardim do Designmuseum Danmark. Música ao vivo, passarela entre flores, e uma coleção O nome não enganava: La Dans Act II. Vestidos etéreos, linho, seda, e acessórios feitos com subprodutos de laranja e cacto (!).

De lá, seguimos para a floresta de Refshaleøen, onde o finlandês Rolf Ekroth fez seu primeiro show ao ar livre. A coleção falava sobre ciclos, uma ruptura com as atmosferas escuras de outras temporadas da marca. Um dos desfiles mais imersivos até agora.

Finalizamos com sentimento de casa: a festa da Havaianas. Beira-rio, música brasileira, drinks e chinelos como dress code. Mais tarde, no mesmo espaço, atravessamos para a pista da SØPAVILLONEN, uma das baladas mais legais da cidade (com um público mais legal ainda!). Foi só o fim do segundo dia. Mas parecia o décimo!


Crème Daily — Dia 3
Copenhagen, 06 de agosto
Acordei com o corpo pedindo arrego. Parece que corri uma maratona completa usando sapatilhas da Repetto. Mas, vamos nessa!
O café da manhã foi no chão do quarto do hotel: panquecas encharcadas de syrup, frutas vermelhas e um latte gelado mais feio do que gostoso.
O primeiro destino era o desfile da Munthe, ambientado no Jardim Botânico da cidade. O cenário era tão bonito que ameaçou ofuscar a coleção. Babados, paetês gigantes, jeans relaxados e camisas amplas formaram uma passarela onde o styling foi a estrela.

De lá, uma visita rápida à New Mags, loja de coffee table books muito bem curados. Em frente, almoço tardio (e vinho precoce) no Locale 21, de olho no vai-e-vem das ruas dinamarquesas.

Mas o grande plot twist do dia foi nossa operação clandestina para entrar no desfile mais disputado da tarde: Baum und Pferdgarten.
Estávamos exaustas, mas não mortas. Ainda havia uma última missão. O problema? A ausência de convites. O destino? Um haras afastado nos arredores de Copenhague. O clima? Chuvoso.
Chegamos com cara de pau e fé. Mas o esquema de segurança na porta estava sério. Três PRs alinhados, cada um com seu próprio temperamento e um scanner para os QR codes dos convites. Eu analisei e soltei o plano: “O do canto esquerdo é o mais rigoroso. A do meio sorri, mas não muito. E a da direita pode se distrair se alguém famoso passar. Quando as duas das pontas estiverem cumprimentando convidados ao mesmo tempo, a gente avança pelo corredor do meio. Passos rápidos. Olhar reto. Sem hesitação. Com confiança”
Deu certo. Passamos pela primeira triagem como se fossemos celebridades com sobrenome nórdico. Andamos por entre os estábulos sem olhar para trás. Mas aí veio a parte 2 do obstáculo: uma barricada de staff no meio do caminho. Nova checagem de convites. Pânico.
Foi aí que eu vi um fotógrafo encostado no canto esquerdo. Olhei para ele como se fosse meu velho amigo. “Oi! Quanto tempo! Tudo bem?” Ele respondeu com a mesma energia, me abraçou e — bingo! — abriu o corredor humano. Atrás de mim, minhas amigas deslizaram como se aquilo fosse parte do plano original. Agora oficialmente dentro.
Só que o karma não descansa, né? Estávamos há horas sem comer, meus pés em frangalhos e o ar abafado do local fizeram efeito: comecei a passar mal. Precisava sentar. O problema? Sentar exige convite. De preferência com o seu nome marcado na cadeira. Olhei para uma staff com o olhar da morte e mandei: “Oi, eu não estou me sentindo bem. Tem como me sentar um pouco?” Ela hesitou, bufou, mas cedeu.
Sentei. Respirei. E ali, ao som de A Horse With No Name, a coleção começou. Me senti renovada. Animada. Será que a moda é capaz de curar? No meu caso, com certeza.
‘Notes from the Grandstand’ foi uma ode às horse girls, com direito a texturas naturais, alfaiataria equestre e todos os símbolos da infância das fundadoras. Um desfile animado e, se posso dizer, até agora o melhor da temporada.

Finalizamos o dia no Pastis, com batatas fritas, vinho, e a sensação de que viver tudo isso (mesmo com dor no corpo inteiro) ainda é o melhor trabalho do mundo.

What I Wore — Copenhagen Fashion Week — Dia 2
Copenhagen, 05 de agosto

What I Wore — Copenhagen Fashion Week — Noite 2
Copenhagen, 05 de agosto

What I Wore — Copenhagen Fashion Week — Dia 3
Copenhagen, 06 de agosto



Restaurantes, bares e cafés que valem a parada durante a sua estadia em CPH:

Buka Bakery
Barr
Atelier September
Apollo Bar
Apotek 57
Lille Bakery
Pompette

