Hej! Se alguém souber como sobreviver à Copenhagen Fashion Week com apenas dois pés, me ensina. Chegamos à terceira e última parte da cobertura, e mesmo que os calos gritem e a lombar peça férias, é difícil não querer prolongar esse cenário de bicicletas, cafés minimalistas e pessoas que parecem ter saído direto de um editorial da Vogue Scandinavia. E eu não estou exagerando: vi mais homens bem vestidos em uma esquina qualquer de Copenhagen do que em uma temporada milanesa inteira.

Nesta edição, você acompanha o último dia oficial da CPHFW — que começou com o cartão postal da cidade e terminou em vinho branco — seguido de dois dias off-duty que, obviamente, não tiveram nada de descanso.

E se você acha que acabou: não. Na próxima edição, o debrief vem afiado, com todas as tendências filtradas pela Crème.

- Junia Lopez

Crème Daily — Dia 4

Copenhagen, 07 de agosto

Acordei num estado agridoce, como quem está ao mesmo tempo pronta pra largar o salto e desesperada pra reviver tudo mais uma vez. O quarto dia chegou com a energia clássica do último dia de fashion week: meio emocionada, meio querendo um spa.

Nada mais justo do que começar com um passeio pelo cartão-postal da cidade, o Nyhavn, e um café da manhã no já clássico Apollo Bar. Lá, vieram à mesa as melhores alcachofras da minha vida.

Mas não dava pra se perder no brunch por muito tempo: já estávamos levemente atrasadas para a presentation da Filippa K, marca fundada em 1993 e que resume o minimalismo escandinavo. No rooftop da loja, modelos com cara de quem passa o verão todo em Biarritz exibiam a nova coleção SS26, que misturava referências náuticas, tons sóbrios e uma alfaiataria prática.

Tudo regado a dirty martinis, brisa boa e uma trilha sonora bem curada.

Surpreendentemente, havia quem ainda acreditasse que o desfile mais concorrido da temporada estaria aceitando walk-ins. É sempre curioso observar o otimismo de quem chega achando que basta estar bem vestido e fingir estar ocupado ao celular para atravessar uma barricada metálica de dois metros. O show de Cecilie Bahnsen, que celebrou 10 anos de volume, laços e silhuetas oníricas, acontecia em um galpão brutalista afastado do centro — e o perímetro estava bem guardado. Mas bastou um infiltrado dar o primeiro salto para o resto seguir com confiança.

Um a um, eles tentavam: uns com agilidade, outros com clara falta de alongamento. Alguns foram recebidos com olhares cúmplices. Outros, com um sonoro "no" vindo do segurança dinamarquês que definitivamente não estava ali para brincadeiras. Do lado de dentro, ninguém piscava. Porque claro, nada mais couture do que fingir que você não viu um fashionista tentando infringir as leis da moda.

O segredo? Não tentar. Quem estava lá, estava. Quem não estava… bom, sempre tem o TikTok (para os espertos, a Crème).

Não me responsabilizo caso você tente replicar essa ideia no São Paulo Fashion Week. Aqui funcionou para alguns. No Ibirapuera, talvez não.

Falando do que foi visto na passarela, a coleção trouxe frankensteinings de peças icônicas dos últimos dez anos, um remix de tudo que fez de Cecilie uma marca cultuada por fashionistas mundo afora. Com direito a peças one-of-a-kind, suspiros generalizados na fila A e muitos vestidos volumosos.

Depois dessa overdose de desfiles e eventos, só restava encerrar o dia como mandava o roteiro: vinho branco e massa no Bistrô Central, onde jogamos conversa fora como se estivéssemos em Paris (só que com menos fumaça de cigarro).

E assim, entre um gole de vinho e outro, fechamos o último dia oficial de eventos da CPHFW SS26.

Escrevendo isso agora, com as pernas dormentes e a mente latejando de tantas ideias, já deixo aqui registrada a insanidade: eu faria tudo de novo.

Crème Daily — Dia 5

Copenhagen, 08 de agosto

Off-Duty CPHFW

Primeiro dia oficialmente “off” da maratona da CPHFW — o que, pra mim, significa: havaianas nos pés, café na mão e tour pelas lojas de marcas locais. A cidade ainda pulsava com o rescaldo da semana de moda, mas nós já estávamos em outra missão: desbravar o melhor da curadoria escandinava.

Primeira parada: Studio Arhoj, o ateliê de cerâmica e design de interiores mais fofo de Copenhagen. Sempre trago uma lembrança para casa daqui, como um souvenir.

Segunda parada: o sempre descolado La Cabra, café minimalista com pão de fermentação natural, baristas lindos e localização estratégica entre todas as lojinhas mais legais.

Energia recarregada, hora do tour de verdade!

Comecei pela Baum und Pferdgarten, claro. Não apenas porque a loja é linda, mas porque depois da saga clandestina da edição passada, eu havia desenvolvido um apego emocional pela marca. E adivinha o que estava à venda? A tal camiseta com cavalos que todos os staffs usavam no desfile. Era mais do que um simples merch pra mim, era quase uma memorabilia de guerra. Agarrei a peça com a devoção de quem segura uma Birkin. E confesso, coloquei na minha mala de mão pra evitar o risco de extravio.

A seguir, a parada inevitável na Tekla, o templo escandinavo dos artigos de casa. Pantufas listradas, duvets fofinhos e pijamas com cara de editorial da Apartamento Magazine. Impossível não querer viver assim: embalada em algodão orgânico, tomando chá de camomila numa casa toda bege.

Inclusive, algo que sempre me encanta por aqui: a cultura do duvet duplo. Nada de dividir coberta. Cada um com o seu. Isso sim é civilização!!!

De lá, seguimos para a Pico, onde as escandinavas garantem seus acessórios de cabelo favoritos. Fundada em 2004, a marca virou referência com suas presilhas em formato de flor, que já fazem parte do uniforme das garotas cool de Copenhagen. Difícil sair de mãos abanando.

Na sequência: a charmosa Caro Editions, que mistura estampas nostálgicas, bordados artesanais e tecidos deadstock de grifes como Chanel e Dries Van Noten. A marca, fundada em 2022 pela ex-modelo Caroline Bille Brahe (que você precisa seguir), é um must.

Os chapéus feitos com as sobras de tweed da Chanel foram o grande desejo da temporada.

Depois do tour, fomos almoçar tardiamente no Fabro, um restaurante italiano tão bom que dispensa firulas. O foco é massa bem feita, vinho branco e ingredientes locais. Ao lado, o Bar Fiasco, do mesmo dono, é o cenário perfeito para meu esporte preferido: people watching — e que elenco!

Crème Daily — Dia 6

Copenhagen, 09 de agosto

Off-Duty CPHFW

O último dia em Copenhagen só não acordou mais saudoso porque amanhã eu vou para Paris — e vocês bem sabem que Paris é o meu lugar. Afinal, sou uma esnobe assumida.

Começamos com um desjejum no Apotek 57, dica certeira de uma amiga que mora em Malmö, na Suécia. A poucas portas dali, caímos no inevitável Atelier September, onde a manteiga tem consistência de chantilly e os cafés da manhã seguem a cartilha escandinava: pães, frios, ovo com gema mole e geleia.

Refeitas, seguimos para o Magnolias, meu brechó favorito em Copenhagen. Fazer compras ali é como invadir o closet da sua amiga dinamarquesa cool que só veste Ganni, Rotate, Opera Sport e, ocasionalmente, Chanel e YSL. O espaço fica embaixo de uma chapelaria, o que só reforça o ar de “achado”.

Na sequência, passamos na ALIS, marca de streetwear nascida em Christiania, o bairro anárquico da cidade. Fundada em 1995, a ALIS carrega a energia crua da juventude e do skate.

Aliás, vale dizer: as lojas dinamarquesas são uma aula à parte. Todas muito bem pensadas como extensão do branding e na experiência do cliente.

Como já virou tradição, a tarde foi dedicada ao vinho branco e ao Aperol — porque se é verão na Europa, a gente se hidrata assim!

O local escolhido foi o Villette, em Nørrebro, com um pátio delicioso, menu sazonal e uma carta de vinhos naturais extensa.

Para o gran finale, reservamos o jantar no Pluto, restaurante com atmosfera agitada. Era nossa última noite em Copenhagen, e nada melhor do que encerrar como se deve: música alta, um brinde entre amigas e planos (ousados) para a próxima temporada.

E assim encerramos a cobertura ao vivo da Crème na CPHFW. De malas quase feitas, levo também histórias, novas referências, ideias e bolhas nos pés. E sim, já estou com saudade.

Na próxima edição, o debrief completo da temporada: apostas, tendências, hotspots e tudo o que fez Copenhagen ferver.

What I Wore — Copenhagen Fashion Week — Dia 4

Copenhagen, 07 de agosto

What I Wore — Copenhagen Fashion Week — Noite 4

Copenhagen, 07 de agosto

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