Eu sou uma hopeless romantic assumida e incurável. Há quem chame de cafona. De comercial. De apelativo. Mas o Dia dos Namorados, para mim, sempre foi um prato cheio: um convite para exagerar no batom vermelho, escrever cartas à mão, colocar aquela playlist cafonérrima para tocar e criar, por uma noite, a ilusão de que o mundo gira ao redor de dois apaixonados.

Nesta edição, celebro tudo aquilo que nos tira do prumo — o desejo quase bobo de impressionar com um presente, o nervosismo que antecede um jantar à meia-luz, o toque que chega antes do beijo.

Preparei uma playlist para acompanhar esse clima. Também abro espaço para um roteiro de dates em São Paulo, um gift guide curado para impressionar namorados e namoradas (ou só a si mesma, o que às vezes é ainda melhor) e uma seleção de filmes que exalam a temática desta edição.

E nesta data, vale tudo (menos amar com moderação).

Junia Lopez

Tem gente que torce o nariz para o Dia dos Namorados. Acha cafona, comercial, artificial. Eu entendo. Mas eu sempre amei. Sempre me deixei embriagar por essa atmosfera dos exageros românticos: as flores, os embrulhos dramáticos, os bilhetes com caligrafia trêmula, as serenatas desafinadas, os beijos com gosto de vinho.

O que me atrai nessa data é exatamente o modo como ela quebra o cotidiano e nos empurra para interpretarmos papéis — a musa, a sedutora, a apaixonada…
E se é para embarcar na fantasia, que seja com as musas que transformaram desejo em arte — e artistas, em obcecados:

Alexa Chung foi mais do que uma it girl de capas de revista — virou inspiração para um álbum inteiro do Arctic Monkeys e destinatária de uma carta cheia de desejo assinada por Alex Turner:

“My mouth hasn’t shut up about you since you kissed it... The idea that you may kiss it again is stuck in my brain.” — trecho da carta de Alex Turner para Alexa Chung

A relação entre Edie Sedgwick e Andy Warhol também ultrapassou o amor e virou arte em filmes como Poor Little Rich Girl e Beauty No. 2.
Em outro cenário, Jane Birkin e Serge Gainsbourg deram voz ao desejo na música Je t’aime... moi non plus, um dueto que escandalizou e eternizou a tensão entre os dois.
E, em meio ao caos da Swinging London, Jean Shrimpton posou para David Bailey — o clique virou ícone, e os dois, casal-referência de uma nova era da moda.

A musa Pattie Boyd prova que o amor também pode ser caótico: de George Harrison a Eric Clapton, colecionou músicas devotadas a ela como se fossem cartas de amor. E Anna Karina, por fim, não apenas viveu Godard, mas também virou símbolo da Nouvelle Vague.

A paixão, quando vivida com intensidade, reverbera. No fim, é isso que celebramos: a chama que começa entre dois e acaba acendendo o mundo inteiro.

Pois, o amor, mesmo que cheio de clichês, sempre ganha um quê de arte.

Se o amor não for garantido, que ao menos o presente seja. Uma curadoria para acertar em cheio no Dia dos Namorados:

Imagine-se em uma noite gelada de junho. Você caminha sozinha até o restaurante, salto firme no paralelepípedo, batom recém-retocado no reflexo de um carro qualquer. No ar, um perfume misturado de madeira, vinho tinto e desejo. O maître tenta adivinhar se você está esperando alguém ou se é o alguém que os outros esperam.

Na mesa ao lado, um casal discute sobre assuntos sem graça. Você pede seu drink favorito, cruza as pernas e observa. Seu vestido é vintage demais para ser coincidência. O decote, calculado. O olhar, propositalmente distraído.

Ele chega. Atrasado, claro. Mas bonito o suficiente para ser perdoado. Os olhos se encontram. Ele beija seu rosto devagar. A mão treme levemente. Está nervoso. Ponto para você.

A conversa começa morna, como todo bom jogo. Ele elogia seu vestido. Você diz que foi garimpado em Paris — omite que, na verdade, foi achado num brechó em Pinheiros. Ele fala de trabalho, você fala de filmes. Ele ri de algo que você nem tentou tornar engraçado. Você bebe devagar, brinca com a borda da taça, conduz sem pressa. Está no comando. 

Enquanto isso, uma trilha sonora toca na sua cabeça:

Acertar na escolha do restaurante para o date é um MUST! O Hidden Gems de hoje é temático e, modéstia à parte, eu e meu namorado somos bons nisso. Dos spots chiquetosos aos descontraídos (todos em São Paulo), aqui vai a nossa curadoria para a data:

  1. Pasta Shihoma

  2. Barouche 

  3. Kan Suke (omakase)

  4. Cais Restaurante

  5. Fel

  6. Beverino Vinhos Naturais

  7. Fame Osteria

  8. TAN TAN

Para assistir sozinha ou muito bem acompanhada nesse Dia dos Namorados, uma seleção de filmes que acendem o clima da paixão:

1. Midnight in Paris, 2011 - Amazon Prime
2. Roman Holiday, 1953 - Amazon Prime
3. Trilogia Before, 1995, 2004, 2013 - MAX
4. Encontros e Desencontros, 2003 - Amazon Prime
5. 10 Coisas que Eu Odeio em Você, 1999 - Disney+
6. O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, 2001 - Apple TV
7. Pierrot Le Fou, 1965 - MUBI
8. Amor à Flor da Pele, 2000 - Amazon Prime

Reply

Avatar

or to participate

edições passadas